Religiões Universais

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. A Família Semítica: 4.1. Judaísmo; 4.2. Cristianismo; 4.3. Islamismo. 5. Família Indiana: 5.1. Hinduísmo; 5.2. Budismo; 5.3. Jainismo. 6. Família do Extremo Oriente: 6.1. Confucionismo; 6.2. Taoísmo; 6.3. Xintoísmo. 7. Religiões Universais e Espiritismo: 7.1. Ecumenismo; 7.2. Unidade de Princípios; 7.3. O Futuro do Espiritismo. 8. Conclusão. 9. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O que entende por religião? O que se pode dizer das religiões universais? São as grandes religiões? Existe uma religião que abarca o mundo todo? Qual a contribuição do Espiritismo?

2. CONCEITO

Religião é sentimento divino que prende o ser humano ao Criador. É a ligação do crente com o seu objeto de adoração (pedras, árvores, Deus, Jeová etc.).

Religiões universais são aquelas que acreditam ter importância para todo o mundo e tentam, com maior ou menor intensidade, converter pessoas.

3. CONSIDERAÇÕES INICIAIS

O sentimento de adoração, inato no ser humano, desde tempos remotos, apresenta-se de modo variado em cada um de nós. Na antiguidade, adorávamos pedras, árvores, bosques, grutas, deuses mitológicos etc. Com o passar do tempo, fomos mudando os nossos procedimentos, mas o sentimento continua intacto em cada um de nós. Observe que o tema religião aparece frequentemente nas conversas entre as pessoas. No ônibus, no metrô e na espera em consultório médico surgem comentários sobre um determinado pastor, uma determinada Igreja, uma determinada citação bíblica.

A fé religiosa, contudo, pode ser mais ou menos raciocinada. Allan Kardec, com o auxílio dos Espíritos superiores, orienta-nos a pautar a nossa conduta por intermédio da fé raciocinada e não através da fé cega, que pode nos levar ao fanatismo. Façamos um resumo das principais religiões universais, agrupando-as por famílias.

4. A FAMÍLIA SEMÍTICA

4.1. JUDAÍSMO

O Judaísmo é a religião dos israelitas ou hebreus ou judeus. O documento essencial sobre o Judaísmo é o livro sagrado de Israel, o Antigo Testamento. A palavra testamento foi introduzida pela Igreja Cristã; é má tradução do vocábulo aliança, pois trata-se da aliança entre Deus e a humanidade. O Decálogo, que a tradição atribui a Moisés, é uma bela página de literatura religiosa. (Challaye, 1981, p. 140-152)

4.2. CRISTIANISMO

O Cristianismo é a religião mais difundida, estendendo-se por todos os continentes. A fé cristã, que surgiu na Palestina há 2000 anos, reconhece um único Deus (monoteísmo). Considera seu fundador, Jesus Cristo, como a encarnação de Deus. O cristianismo sustenta a doutrina trinitária, ou seja, a doutrina da Trindade: Pai, Filho e Espírito Santo, que constituem três pessoas em uma só natureza. O livro sagrado dos cristãos é a Bíblia. O cristianismo divide-se em três grandes confissões: a católica romana, a ortodoxa oriental e a protestante.

4.3. ISLAMISMO

O Islamismo é a mais recente das religiões; foi fundado por Maomé, no séc. VII, na Arábia. Seus domínios estendem-se pela África e a Ásia, formando um largo cinturão, do Atlântico ao Pacífico. O islamismo ensina que Alá é o único Deus e Maomé seu profeta. Tem aspectos da religião árabe antiga, do judaísmo e do cristianismo. O livro santo é o alcorão. No decorrer dos tempos surgiu uma infinidade de seitas. (Enciclopédia Combi Visual)

5. FAMÍLIA INDIANA

5.1. HINDUÍSMO

O Hinduísmo tem uma origem remota que remonta a vários milênios a.C. Seus livros sagrados são os Vedas. Não existe um fundador, nem uma doutrina unitária dessa religião. Está indissoluvelmente ligada à antiqüíssima cultura hindu e, em geral, sua difusão limita-se à Índia. O hinduísta adora muitos deuses ─ mais de 300 milhões ─, mas considera-os manifestações  de uma única realidade divina. O hinduísmo é tolerante e aceita outros conceitos da divindade e costumes muito diversos.

5.2. BUDISMO

O Budismo foi fundado por Buda no séc. VI a.C. Era considerado a princípio uma seita do hinduísmo, mas pouco a pouco se expandiu por todo o Sudeste asiático. O budismo, na realidade, é uma religião sem Deus. Buda não acreditava em nenhum ser divino e negava que o homem tivesse alma imortal. Essa religião originária mantém-se no Ceilão, na Birmânia e na Tailândia. Essa divisão do budismo denomina-se hinayana. "o pequeno veículo" (da salvação). A outra, chamada mahayana, "o grande veículo", que predomina no Japão, China e Tibete, adora Buda como um deus.

5.3. JAINISMO

O Jainismo, como o Budismo, é uma religião ateia. Não houve criação: o mundo é eterno. A ideia de uma criação, extraindo algo do nada, é impensável. Não existe Criador. Não há Ser perfeito na origem das coisas. A perfeição é apenas o ideal dos esforços humanos. (Challaye, 1981, p. 78).

6. FAMÍLIA DO EXTREMO ORIENTE

6.1. CONFUCIONISMO

Confúcio, em sua doutrina, exclui toda especulação metafísica e não se ocupa dos mortos. Só se ocupa do homem e das coisas humanas. Prega o raciocinar e o expressar-se bem, numa moral que leve o homem a viver bem. O fundamento da sociedade está na máxima perfeição possível atingida pelos indivíduos e, de modo especial, pelo príncipe. (Curti, 1980, p. 117)

6.2. TAOÍSMO

O Tao é nome que se dá aos ensinamentos veiculados por Lao-Tsé, há 2.600 anos, na China, no livro o Tao-Te-Ching. De acordo com o seu autor, o Tao não pode ser definido, apenas conhecido, pela mesma razão com que não podemos definir Deus. Tao é o princípio único, subjacente a toda criação. Tao não pode ser definido, pois a tudo se aplica. O método é a meditação, ou a consciência do que está acontecendo. Para a sua eficácia, devemos afastar os preconceitos e prevenções pessoais, pois o preconceituoso só vê o que se ajusta aos seus preconceitos.

6.3. XINTOÍSMO

Conjunto de crenças e práticas expressas em manifestações sociais e atitudes individuais, o xintoísmo preservou seu espírito ao longo dos tempos, embora não tenha fundador, escrituras sagradas oficiais ou dogmas. Xintoísmo é a religião nacional do Japão, que se constitui de crenças e práticas religiosas de tipo animista. De origem chinesa, o termo xinto significa "caminho dos deuses". O xintoísmo reconhece um poder sagrado cuja natureza não pode ser explicada em palavras, o kami, e que se acha difundido na natureza sob a forma do Sol (Amaterasu), da Lua (Tsukiyomi), da tempestade (Susanoo) e muitas outras. Os espíritos dos antepassados também são considerados deuses tutelares da família ou do país, motivo pelo qual os ritos fúnebres possuem grande relevo. (extraído de http://www.comunidadeespirita.com.br/religioes/16%20xintoismo.htm, em 05/01/2010)

7. RELIGIÕES UNIVERSAIS E ESPIRITISMO

7.1. ECUMENISMO

A sociedade já apóia a idéia de uma religião única e universal, e cresce a adesão das pessoas ao movimento devido ao forte apelo de união, amor e paz. Dá-se a esse movimento o nome de ecumenismo, no sentido de unir todas as religiões num único objetivo, ou seja, conduzir o crente a Deus. Os espíritas aparecem juntamente com os católicos, os protestantes, os umbandistas e outros.

7.2. UNIDADE DE PRINCÍPIOS

Para que uma religião se torne universal, no sentido de unir todas em uma só, deve haver unidade de princípios. Allan Kardec, na sua época, falava dos cursos regulares de Espiritismo, que seriam professados para estimular os estudos sérios, baseados na análise racional dos fatos, com o fim de formar a unidade de princípios. Esses cursos exerceriam grande influência no futuro do Espiritismo.

7.3. O FUTURO DO ESPIRITISMO

Segundo comunicação de um Espírito, "O Espiritismo é chamado a desempenhar imenso papel na terra. Reformará a legislação, retificará os erros da História, restaurará a religião do Cristo, instituirá a verdadeira religião, a religião natural, a que parte do coração e vai direto a Deus, sem se deter nas franjas de uma sotaina, ou nos degraus de um altar". Extinguirá para sempre o ateísmo e o materialismo. (Kardec, Obras Póstumas, p. 299)

8. CONCLUSÃO

O Espírito Emmanuel distingue religião de religiões. Para ele, a religião é o sentimento que une criatura e Criador; as religiões, organizações humanas e, como tal, sujeitas a muitos erros. Nesse sentido, o Espiritismo pode perfeitamente tornar-se uma religião universal, pois como nos diz a instrução mediúnica: "Parte do coração e vai direto a Deus, sem se deter nas franjas de uma sotaina, ou nos degraus de um altar".

9. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

CURTI, R. Espiritismo e Evolução. São Paulo: Feesp, 1980.

CHALLAYE, F. As Grandes Religiões. São Paulo: Ibrasa, 1981.

ENCICLOPÉDIA COMBI VISUAL. Barcelona: Ediciones Danae, 1974.

(http://www.comunidadeespirita.com.br/religioes/16%20xintoismo.htm)

KARDEC, A. Obras Póstumas. 15. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1975.

São Paulo, janeiro de 2010.

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