A Mulher no Conceito Social, Breve Palestra

Bismael B, Moraes (*) 

                No mundo existe algum rei, presidente, ministro, chefe religioso, magistrado, parlamentar, filósofo, cientista, doutor, artista, professor, letrado ou analfabeto, herói ou bandido, em qualquer atividade terrena, que não tenha nascido do ventre da mãe e que não necessitou do seio, dos braços, dos cuidados, das lições e do amor dessa mulher? 

               No livro “A Vida de Jesus”, de Plínio Salgado, encontra-se o seguinte: “A mulher grávida leva um destino no ventre; a centelha de um espírito; a semente de um fato social; o gênio do Bem ou o gênio do Mal”.         

                Em todas as partes da Terra, em decorrência do preconceito e de costumes retrógrados, para muitos, ainda existe a ideia errônea de que só o homem é base da espécie humana, porque teria sido criado por Deus em primeiro lugar, ficando as mulheres como seres de 2ª e até de 5ª classes. Desde a Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, um documento feito por intelectuais da Revolução Francesa de 1789, existe essa ideia errada e aceita sem discussão (claro, escrita pelos homens):  de que se deve ao homem todo o progresso da humanidade, o que é uma falácia! Esse progresso não vem do ser humano (homem e mulher), e não apenas do homem? Pensar não ofende. 

                 A mulher sempre viveu oprimida, em grande parte, por força das religiões dirigidas por homens. Observe-se, a propósito, dentre as Epístolas de Paulo, antes deste converter-se ao cristianismo na Estrada de Damasco, a Epístola I a Timóteo, no Capítulo 2, Versículos 12 e 13: “Não permito que a mulher ensine, nem use de autoridade sobre o marido, mas esteja em silêncio. Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva”.           

                 Já na questão nº 50, de O Livro dos Espíritos, de Kardec, verifica-se que “a espécie humana não começou por um só homem, porque aquele a que chamamos de Adão não foi o primeiro nem o único a povoar a Terra”. 

                Vejamos o que ensina o Espiritismo, essa doutrina maravilhosa e esclarecedora. Nas questões 200/202 de “O Livro dos Espíritos”, de Allan Kardec, verificamos que “os Espíritos não têm sexo. Como devem progredir em tudo, cada sexo, como cada posição social, oferece-lhe provas e deveres especiais e novas ocasiões de adquirir experiências.” (E, por isso, os Espíritos, na caminhada do progresso, nascem e renascem, ora como homens, ora como mulheres, ora com a pela branca, ora com a pele negra  etc., regidos por leis naturais, tudo para o aprendizado).  

                 Escreveu a ex-primeira ministra do Paquistão, Benazir Bhutto:”Se as mulheres dos países mulçumanos estão em atraso, isso não é culpa dos princípios do Islã, mas, sim, das tradições culturais ou tribais machistas que lhes negam seus direitos”. (Mas “O Livro dos Espíritos”, de Kardec, em 1992, foi traduzido para o árabe, língua falada pela  maioria dos mulçumanos!). “O tempo é o senhor da razão...” 

                   Mesmo no Brasil, “Pátria do Evangelho”, a caminhada tem sido difícil, porque as leis são feitas, aplicadas e julgadas pelos homens.  Mas o progresso, embora lento, é lei natural e, embora a contragosto de alguns, as mulheres vão se libertando. A propósito, o Código Civil Brasileiro, de 1916, dizia, no art.4º, que “a personalidade do homem começa do nascimento com vida”; já o Código Civil de 2002, no art. 2º, diz: “A personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida”. (Notaram - homem e pessoa?). 

                   Até 1934, no Brasil, as mulheres não eram legalmente cidadãs; nesse ano, foram autorizadas a votar. (Agora, quando já ultrapassamos a primeira década do Século 21 da Era Cristã, ainda há lugares no mundo em que o homem pode proibir a mulher de aprender a ler, e os governos não lhes permitem votar). A propósito, no Brasil, até 1999, cerca de 30% das crianças não tinham o nome do pai em seus registros. Mas com a lei nº 12004, de 29-7-2009, sancionada pelo Presidente Lula, o homem não pode negar-se a exame de DNA para que seja reconhecida a paternidade! Temos, também, a Lei Maria da Penha (nº 11.340, de 7-8-2006), para que os homens aprendam a respeitar a mulher!  

                     Portanto, embora os costumes absurdos, arraigados e não discutidos, e a ignorância machista, em muitas nações, ainda procurem manter as mulheres como seres humanos inferiores aos homens, verifica-se que, seja no campo físico como no intelectual, o sexo feminino vem se ombreando ao sexo masculino, na maioria dos esportes individuais e coletivos, impondo-se na ciência, na tecnologia e nas artes, como, por exemplo, ocorre hoje no Brasil, com 52% de eleitoras e 57%  de universitárias nas Faculdades! 

                    A verdade que nenhum homem existira sem mulher. Por isso, tem de afogar seu preconceito, porque não basta a força física; tem de aprender a respeitar todas as mulheres – mães, esposas, netas, irmãs, sobrinhas, namoradas, amigas, porque é um dependente perpétuo do carinho, do perdão e do amor desses seres divinos! 

                    Termino estas linhas com um pensamento do psicólogo e espírita Adão Nonato: “O mundo será melhor, com certeza, porque vejo mais mulheres do que homens nos seminários e congressos espíritas. E, pela reencarnação, elas serão os homens do futuro”.  Um dia, na caminhada terrena, todos aprenderão sobre essas verdades. 

       (*) O autor BISMAEL B. MORAES, advogado, tem Mestrado em Direito Processual pela USP, é membro da União dos Delegados de Polícia Espíritas de São Paulo e trabalhador do Centro Espírita Ismael, no bairro do Jaçanã, Zona Norte da Capital .

São Paulo, janeiro de 2013.

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