Os Homens Chamados de Gênios
(Uma dedução lógica)

Isadino José dos Santos(*)

Toda vez que nós olhamos para o alto avistamos numerosos astros que gravitam no universo e, por pura vaidade, ou, até, por orgulho, duvidamos que em algum deles possa existir vida como no nosso planeta. Como poderia haver vida no Sol, por exemplo, com aquele calor abrasador? E na Lua, de que maneira poderia alguém viver sem água? Também, em Marte, no nosso entendimento nenhum ser poderia sobreviver na ausência do ar que respiramos. Pura ignorância, pois, se acreditarmos que somente no nosso planeta pode haver vida, estaremos pondo em dúvida a justiça do Criador de todas as coisas, já que não seria justo Deus criar tantos astros e, somente um deles ter o privilégio de abrigar seres vivos.

O Sol, não obstante a impossibilidade de abrigar seres vivos, como imaginamos, não seria um mundo habitado por entes corpóreos, no entanto, trata-se de um lugar de encontro dos Espíritos Superiores que dele irradiam seus pensamentos para outros mundos. A Providência Divina, na sua sabedoria, ao criar o ser vivo, determinou, também, o ambiente que seria propício para a sua sobrevivência. Se retirarmos um peixe da água ele, certamente, em alguns minutos perecerá, pois foi criado para viver sob as águas, o mesmo acontecendo com certos tipos de animais, como a minhoca, que têm como  seu habitat natural o subsolo e, quando retirada da terra e submetida ao calor dos raios solares, seu corpo resseca e ela não resiste e morre. Da mesma forma, o homem, se for colocado submerso nas águas, ou em baixo da terra,  igualmente,  em poucos minutos morrerá, pois, no que se refere ao ser humano, ele, também, foi criado para viver em um ambiente próprio e que lhe permitisse desenvolver a sua inteligência.  

E, por falar em inteligência, constantemente, ouvimos um pai, ou uma mãe referir-se ao seu filho, quando ele faz alguma coisa certa, dizendo que ele é um gênio. Mas, o que ele fez para assim ser considerado? Ele nasceu mais  inteligente do que as outras pessoas? Nesse caso, também, não seria injusto que algum ser humano nascesse com um maior grau de inteligência do que outros? 

Essa é uma questão que, de maneira resumida, vou tentar explicar, mostrando, de modo sucinto, o que é uma pessoa considerada gênio. Não aquele gênio da lâmpada mágica de Aladim que, quando liberto, realiza três desejos do seu libertador, nem daquela mocinha loira do filme americano, a qual, com apenas um simples piscar de olhos, ou um ligeiro aceno com a cabeça,  se transforma, ou transforma outras pessoas em um animal ou um objeto, pois, trata-se de uma mera ficção. Também, não falamos de Pelé, o qual, muitas pessoas, e até nós mesmos, qualificamos de gênio do futebol, ou Oscar Shimidt e Hortência, que dizemos serem os gênios do basquetebol, já que tais aptidões podem ser adquiridas através de rigoroso treinamento e de uma prática constante.  Deus criou os Espíritos no mesmo nível, ou seja, todos ignorantes e rudes mas, dotados do livre arbítrio para progredirem, ficando, portanto, o progresso de cada um, condicionado ao seu esforço e perseverança.

Estamos nos referindo, sim, àquelas pessoas que, sem terem estudado, ou mesmo pesquisado sobre um determinado assunto, quando se deparam com algum problema a ele relacionado, em pouco tempo e sem maiores dificuldades, encontram a solução como se já o conhecesse profundamente.

Em todas as épocas e em todas as áreas, verificamos o aparecimento de pessoas dotadas desse tipo de inteligência, a qual é utilizada para contribuir e auxiliar o progresso do ser humano, tanto  no aspecto material, como no espiritual.  Na pré-história, por exemplo, período em que o homem ainda se encontrava em estado primitivo, alimentando-se de carne crua,  e, onde o fogo era totalmente desconhecido, bastou  ele constatar que atritando uma pedra em outra, formava-se algumas centelhas, as quais em contato com as folhas secas, formava-se a combustão e, conseqüentemente,  as chamas.

Mais adiante, por volta de 1321, surgiu em Bagdá, um pastor de ovelhas chamado Bereniz Samir, nascido na Pérsia e que, ao mudar-se para o Egito, adotou o cognome de Malba Tahan. Esse pastor, ainda menino, e sem jamais ter estudado matemática,  aos seis anos de idade, já demonstrava uma grande habilidade em lidar com os números, motivo pelo qual, quando adulto,  passou a ser conhecido como  “O homem que calculava”, sendo-lhe atribuída a descoberta da progressão aritmética, hoje tão utilizada nos cálculos matemáticos.

Em 1608, nascia em Lisboa, o padre Antonio Vieira  que, vindo para o Brasil, ainda criança foi matriculado no colégio dos Jesuítas, na Bahia e, até os seis anos de idade, ele nada tinha de inteligente pois, nas aulas, quase nada conseguia aprender, até que um dia, quando rezava, o menino sentiu um forte estalo na cabeça, sucedido de uma forte dor. Ao cessar a dor, suas idéias foram clareando e ele, de medíocre e bronco que era, passou a ser um brilhante e sagaz aluno, causando grande espanto nos colegas e nos professores. Todas as matérias, a partir daquele dia, eram, por ele, assimiladas com muita facilidade e, até o idioma latim ele passou a dominar com perfeição, tornando-se, mais tarde, em um grande mestre.

No século XVII, ocorreu, aqui mesmo em São Paulo, um outro fato que merece ser registrado.  Durante as obras da construção da catedral da Sé, em 1.746, os trabalhos tiveram que ser paralisados, pois, nenhum profissional construtor queria correr o risco de construir a torre da igreja, por considerarem a estrutura e os aspectos térmicos, acima dos recursos de engenharia disponíveis na cidade. Foi nessa ocasião que surgiu a figura de um preto, escravo, conhecido apenas por “Tebas”, que garantiu erguer a torre sem nenhum problema, mas, desde que lhe fosse concedida a alforria. Não havendo outra alternativa, depois que o escravo mostrou a todos as técnicas que usaria, o acordo foi aceito e, em 1755, a catedral estava totalmente construída e com sua majestosa torre. Desse autêntico gênio que aqui viveu, ninguém sabe nada. De onde veio, como veio, onde aprendeu o que sabia, como viveu nem sequer o seu primeiro nome ninguém jamais soube.

Como, então poderiam essas pessoas, terem conhecimento de algo, até então desconhecido? Teriam eles trazido consigo, uma sabedoria adquirida em uma encarnação anterior aqui mesmo em nosso planeta? Não seria viável afirmar-se tal assertiva, pois, tendo eles vivido  em épocas passadas, seria impossível  terem  conhecimento de alguma coisa que, na atualidade, ainda era desconhecida. 

Em todas as etapas evolutivas do nosso planeta, Emissários são-nos enviados com a finalidade de ajudar o ser humano no seu esforço evolutivo e, dessa forma, nunca nos tem faltado ajuda. As grandes Comunidades Espirituais da esfera superior, analisando a situação da Terra, deliberaram a imigração de populações de outros planetas mais adiantados para que, aqui chegando, através dela, o homem recebesse um estímulo e uma ajuda direta na sua difícil luta pela conquista da sua própria espiritualidade.

Próximo ao nosso planeta existe uma Constelação, a qual os astrônomos denominaram Cocheiro, e que é formada de estrelas de várias grandezas. Dentre essas estrelas há uma, de 1ª grandeza , conhecida desde a mais remota época, denominada Capela, localizada há cerca de 45 anos-luz da Terra,  inúmeras vezes maior do que o sol e habitada por uma raça de seres bastante evoluída. Existiam, também, naquele mundo, milhares de espíritos rebeldes, a caminho da evolução geral, mas que, com sua rebeldia, dificultavam a consolidação das penosas conquistas daquele povo cheio de piedade e virtude, tornando-os incompatíveis com os altos padrões de vida morais já atingidos pela maioria dos habitantes daquele orbe. Em virtude  da sua afinidade com a Terra, foi, essa estrela, a escolhida para imigração daqueles rebelados para o nosso planeta.

Ensina-nos, a doutrina espírita, que, um Espírito, quando tem uma missão a cumprir para auxiliar o progresso, ele pode reencarnar em um mundo inferior àquele em que vive. Ao mudar de um mundo para outro, o espírito conserva a inteligência adquirida, pois, os conhecimentos nunca se perdem o que pode ocorrer é o  seu esquecimento  momentâneo mas, a intuição que lhe fica ajuda o seu adiantamento. Tal mudança de mundo pode se dar, também, como expiação, no entanto, não significa que aquele Espírito tenha regredido. Levando-se em conta que, mudando de planeta o Espírito, como já observamos,  conserva os conhecimentos já adquiridos, é de se concluir que essas pessoas consideradas gênios, são espíritos que viveram em outro planeta mais adiantado do que o nosso e que para cá vieram com a finalidade de, através desses conhecimentos, ajudar em nossa evolução.

Desse modo, analisando o que foi dito, duas certezas podemos afirmar sem que haja qualquer dúvida; Deus, ao criar os mundos, não concedeu a apenas um deles, no caso a Terra, o privilégio de ser habitado por seres vivos, mas, a todos eles; também, Ele não criou alguns Espíritos mais inteligentes dos que outros, todos foram feitos em idênticas condições, para viverem conforme o livre arbítrio de cada um.

 (*) Delegado de Polícia aposentado

São Paulo, maio de 2005

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