As Curas do Evangelho

O fluido universal, condensando-se no perispírito, pode fornecer princípios reparadores ao corpo; o Espírito, encarnado ou desencarnado, é o agente propulsor que infiltra num corpo deteriorado uma parte da substância do seu envoltório fluídico. A cura se opera mediante a substituição de uma molécula malsã por uma molécula . O poder curativo estará, pois, na razão direta da pureza da substância inoculada; mas, depende também da energia da vontade que, quanto maior for, tanto mais abundante emissão fluídica provocará e tanto maior força de penetração dará ao fluido. 

A ação magnética se produz:

ALGUMAS DAS CURAS REALIZADAS POR JESUS

1. Perda de Sangue

Tese: Mulher, que há 12 anos sofria de hemorragia, toca as vestes de Jesus e fica curada. Jesus, por seu turno, teve o conhecimento em si mesmo da virtude que lhe saíra. (Marcos, 5, 25 a 34.)

Questão: O efeito não foi provocado por nenhum ato de vontade de Jesus; não houve magnetização, nem imposição das mãos. Pergunta-se: Por que a irradiação foi direcionada para aquela mulher e não a outra qualquer, dado que tinha uma multidão à sua volta?

Explicação: O fluido pode ser dirigido sobre o mal pela vontade do curador, ou atraído pelo desejo ardente, pela confiança, pela fé do doente. No primeiro caso, a cura assemelha-se a uma bomba calcante; no segundo caso, a uma bomba aspirante. Algumas vezes, é necessária a simultaneidade das duas ações; doutras, basta uma só. No caso em questão, a fé funcionou como uma força atrativa. Deve-se levar em conta, também, o merecimento do doente. (Kardec, 1975, cap. XV, itens 10 e 11)

2. Cego de Betsaida

Tese: Tomou o cego pela mão, passou-lhe saliva nos olhos e impôs-lhe as mãos. (Marcos, 8, 22 a 26.)

Explicação: Aqui, é evidente o efeito magnético; a cura não foi instantânea, porém gradual e conseqüente a uma ação prolongada e reiterada, se bem que mais rápida do que na magnetização ordinária. (Kardec, 1975, cap. XV, itens 12 e 13)

3. Paralítico

Tese:  Meu filho, tem confiança; perdoados te são os teus pecados. (Mateus, cap 9, 1 a 8)

Explicação: "Teus pecados te são remitidos" significa dizer que os males desta vida são muitas vezes expiações do passado, bem como que sofremos na vida as conseqüências das faltas que cometemos em existência anterior.  "Teus pecados te são remitidos" equivale a dizer: "Pagaste a tua dívida". (Kardec, 1975, cap. XV, itens 14 e 15)

4. os dez leprosos

Tese: Ide mostrar-vos aos sacerdotes. Quando iam a caminho ficaram curados. Somente o samaritano voltou para agradecer. (Lucas, 17, 11 a 19)

Explicação: Os samaritanos eram cismáticos, mais ou menos como os protestantes com relação aos católicos, e os judeus os tinham em desprezo, como heréticos. Curando indistintamente os judeus e os samaritanos, dava Jesus, ao mesmo tempo, uma lição e um exemplo de tolerância; e fazendo ressaltar que só o samaritano voltara a glorificar a Deus, mostrava que havia nele maior soma da verdadeira fé e de reconhecimento do que nos que se diziam ortodoxos. (Kardec, 1975, cap. XV, itens 16 e 17)

5. cego de nascença

Tese: Cuspiu no chão e, havendo feito lama com a sua saliva, ungiu com essa lama os olhos do cego - e lhe disse: Vai lavar-te na piscina de Siloé, que significa Enviado. Ele foi, lavou-se e voltou vendo claro.

Questão: Mestre, foi pecado desse homem, ou dos que o puseram no mundo, que deu causa que ele nascesse cego. Resposta: Não é por pecado dele, nem dos que o puseram no mundo; mas, para que nele se patenteiem as obras do poder de Deus. (João, 9, 1 a 34)

Explicação: Com relação à pergunta dos discípulos, o fato de sofrer sem ter pecado revela a sabedoria divina, quer dizer, ele servia de instrumento de uma manifestação divina. Se não era uma expiação do passado, era uma provação apropriada ao progresso daquele Espírito, porquanto Deus, que é justo, não lhe imporia um sofrimento sem utilidade.

Quanto ao meio empregado para a sua cura, evidentemente aquela espécie de lama feita de saliva e terra nenhuma virtude podia encerrar, a não ser pela ação do fluido curativo de que fora impregnada. É assim que as mais insignificantes substâncias, como a água, por exemplo, podem adquirir qualidades poderosas e efetivas, sob a ação do fluido espiritual ou magnético, ao qual elas servem de veículo, ou, se quiserem, de reservatório. (Kardec, 1975, cap. XV, itens 24 e 25)

KARDEC, Allan. A Gênese. Rio de Janeiro: FEB, 1975.

(Org. por Sérgio Biagi Gregório)
 

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