Os Cuidados com a Terminologia Espírita

Sérgio Biagi Gregório

Terminologia é o "conjunto dos termos especializados próprios de uma ciência, de uma técnica, de um autor ou de um grupo social determinado". Nesse caso, há a terminologia médica, a terminologia do esoterismo, a terminologia da informática etc. É também a "disciplina lingüística que estuda os conceitos e os termos usados em linguagem de especialidade". Há, assim, a linguagem do dia-a-dia e a linguagem especializada. Claro está que o expositor espírita deverá se preocupar com a linguagem especializada.

O conceito constitui o intermediário entre a imagem e a forma. É função criadora que organiza a ordem interna do discurso. Ao lado do conceito, temos a definição que, de acordo com a regra escolástica, se faz "per genus proximum et differentiam specificam" (pelo gênero próximo e diferença específica). Assim, definir, segundo a lógica formal, é dizer o que a coisa é, com base no gênero próximo e na diferença específica. Para que possamos comunicar os termos, temos de conhecê-los. Para conhecê-los, temos que nos debruçar sobre os princípios doutrinários do Espiritismo, ou seja, sobre os livros básicos da codificação.

Allan Kardec, ao expor as novas ideias espíritas, preocupou-se com a sua terminologia, esforçando-se por lhe dar um caráter particular. No século XIX, século em que Kardec esteve encarnado, o espiritualismo moderno já tinha cunhado diversos termos. O codificador, para não confundir a nova doutrina com o que já existia, cunhou os novos termos, começando pela diferença entre Espiritismo e espiritualismo. O Espiritismo refere-se exclusivamente aos princípios codificados por Allan Kardec; o espiritualismo, a todo aquele que crê que há algo além da matéria.

O espírita, para ilustrar as suas palestras, costuma buscar informações em outros campos de interesse. É preciso saber distinguir a nomenclatura alheia daquela externada por Allan Kardec. Quando é solicitado a falar sobre aura, cores e energização, busca informações nos livros esotéricos que tratam do tema; em seguida, passa esses termos como se eles fossem próprios do Espiritismo. Esse método pode confundir a cabeça dos menos avisados.

Allan Kardec, quando codificou a Doutrina Espírita, deu-lhe um caráter próprio. Na maioria das vezes, comparava a versão espírita com aquela que já existia, procurando mostrar a diferença entre ambas. Entre tais palavras, citamos: alma, céu, inferno e purgatório, reencarnação e chakras. O papel do expositor espírita é dar continuidade a esse método, para que os princípios doutrinários não se percam ou sejam mal-interpretados.

Debrucemo-nos cuidadosamente sobre os princípios doutrinários do Espiritismo. Não permitamos que as novidades do dia-a-dia desviem a nossa atenção daquilo que é realmente essencial à compreensão da Doutrina Espírita.

São Paulo, junho de 2009

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