O Centro Espírita

Marcos Paterra - Jornal Espírita de Osasco SP

Muitos Centros Espíritas surgiram do desenvolvimento de grupos familiares, desligando-se mais tarde da residência em que formara, transformando-se, como dizia Vitor Hugo, no "point d’opotique" do movimento doutrinário, ou seja, o seu ponto visual de convergência. Nesses locais, é feito um trabalho de amor ao próximo, com sinceridade e intenções elevadas, e que conta com a proteção dos espíritos benevolentes e a própria defesa de suas boas intenções.

O Centro Espírita não surge arbitrariamente, nem por determinação de alguma instituição superior do movimento doutrinário. Ele é sempre o produto espontâneo de uma comunidade espírita que se formou num bairro, numa vila ou numa cidade. Essa comunidade é sempre extremamente heterogênea, formada por espíritas e simpatizantes da Doutrina, membros de correntes espiritualistas diversas e de religiosos indecisos ou insatisfeitos com as seitas que se filiaram ou a que pertencem por tradição familiar.

No desempenho da sua função, o Centro Espírita é, sobretudo, um centro de serviços ao próximo, no plano propriamente humano e no plano espiritual. O ensino evangélico puro, as preces e os passes, além do trabalho de doutrinação, representam um esforço permanente de esclarecimento e orientação de espíritos sofredores de suas vítimas humanas, que geralmente são comparsas necessitados da mesma assistência.

“Depois da primeira hora, aquela do despertamento para realidades do existir, será indispensável vivermos a cooperação enobrecedora, evitando esbarrar com impedimentos do fanatismo ou da contemplação extasiada”.

Dirigentes, auxiliares e freqüentadores de um Centro Espírita bem organizado sabem que a obra de Kardec é de cunho científico, filosófico e religioso de estrutura dinâmica, não estática, mas cujo desenvolvimento exige estudos e pesquisas do maior rigor metodológico, realizadas com humanidade, bom-senso, respeito à Doutrina e condições culturais superiores. Opiniões pessoais, palpites de pessoas pretensiosas, livros mediúnicos ou não de conteúdo mistificador, cheios de absurdos ridículos - seja o autor quem for – não têm nenhum valor para um verdadeiro Centro Espírita.

“[...] Não podemos compreender a doutrina Espírita sem estudo continuado e perseverante, como jamais entenderemos espiritistas sem tarefas determinadas no grande movimento de renovação de almas [...]”.”A evangelização de crianças e jovens contará com a participação de servidores adestrados na arte de ensinar e transmitir, que buscarão atualizar-se permanentemente, reconhecidos de que a obra de orientação humana exigirá devotamento e circunspecção” .

As sessões espíritas de doutrinação e desobsessão provaram sua eficácia desde Kardec até os nossos dias, enquanto as opiniões contrárias não se firmam senão em opiniões pessoais, palpites deduzidos de falsos raciocínios, por falta de real conhecimento desse grave problema.

Os Centros Espíritas bem organizados e bem orientados não se deixam levar por palpites, pois possuem suficiente experiência nesse campo altamente melindroso de suas atividades doutrinárias. Da mesma maneira, os que pretendem que as sessões dos Centros sejam dedicadas apenas às manifestações de Espíritos Superiores, revelam egoísmo e falta de compreensão doutrinária.

Os serviços assistenciais à pobreza, prestados pelos Centros Espíritas, constituem a contribuição espírita para o desenvolvimento de nova mentalidade social em nosso mundo egoísta. Não basta semear idéias fraternas entre os homens, é necessário concretizá-las em atos pessoais e sinceros. O Centro Espírita funciona como um transformador de idéias fraternas em correntes de energias ativas nesse plano.

A autoridade cultural e moral dos dirigentes integrada aos tarefeiros e espíritos protetores, que propagam as orientações da doutrina, transformam o Centro Espírita em um local privilegiado, no qual seus freqüentadores encontram além de um local agradável, orientações para suas dúvidas. O Centro que se esquece disso cai fatalmente em situações negativas, adotando práticas anti-espíritas e enveredando pelo caminho divergente a Kardec e ao Espírito da verdade. As conseqüências são altamente prejudiciais a todo movimento espírita.

Muitos dirigentes despreparados, quando vêem os Centros Espíritas os quais dirigem perderem freqüentadores e tarefeiros, acreditam estar passando por “ataques das trevas”; porém, não se trata de nenhum problema sobrenatural, mas simplesmente de falta de vigilância, principalmente contra o orgulho e a vaidade, que levam muitas pessoas a quererem parecer mais do que outras.

Temos no Brasil o maior e mais ativo movimento espírita do planeta.

A expansão do Espiritismo em nossa terra é incessante e prossegue em ritmo acelerado. Mas ocorre infelizmente, em nosso País, um imenso esforço de “igrejificar” o Espiritismo, de emparelhá-lo com as religiões, formandos por toda parte pouquíssimos Centros Espíritas e muitos núcleos místicos e, portanto, fanáticos, desligados da realidade imediata.

“Se os espíritas soubessem o que é o Centro Espírita, qual é realmente a sua função e a sua significação, o Espiritismo seria hoje o mais importante movimento cultural e espiritual da Terra”.

Artigo oferecido pelo autor em:

Dezembro de 2011

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