A Administração Divina

Maurício Visentin Coronado, do Centro Espírital Ismael, São Paulo, SP

 A vida é aquilo que você deseja diariamente“. (André Luiz)

Podemos definir a palavra “Administração” em vários sentidos. Ela vem do latim ad (direção, tendência para) e minister (subjugação ou obediência), e tem como base o “desempenho em administrar, planejar, dirigir, organizar, coordenar e controlar organizações”. Mas vamos usar a palavra administração para o processo e “organização divina” em nossas vidas.

Desde a antiguidade,  a “administração” recebeu influência da filosofia. Antes mesmo de Cristo, tínhamos filósofos como Sócrates, Platão e Aristóteles que impulsionaram a “administração”, colocando-a em prática pelos seus interesses. Em 5 mil a.C., na Suméria, os antigos habitantes procuravam a melhor maneira de resolver seus problemas práticos, exercitando assim a organização e a coordenação de seus interesses da época.

Raciocinando sobre os fundamentos da Doutrina Espírita, podemos vislumbrar rasgos de “administração”Nela percebemos que a Terra foi criada por um “mestre designer” inteligente. Segundo os pressupostos espíritas, Deus é soberamente justo e bom, imutável, onipotente, único e criador de todas as coisas. É o arquiteto do Universo, o administrador de tudo e da vida.

O mestre Allan Kardec, pesquisador e estudioso dos fenômenos espíritas,  diz que a prova mais robusta da existência de Deus reside na assertiva:  “Não há efeito sem causa”. Já o astrônomo francês Camille Flammarion, autor de “O Fim do Mundo” – espírita convicto e dedicado amigo e correspondente de Allan Kardec –, escreveu sobre a trajetória física e espiritual de nosso planeta.

Considera-se que o Planeta Terra tenha 4 a 5 bilhões de anos. Estima-se que a vida tenha se originado há 3,8 bilhões de anos, com o resfriamento da Terra. Em linhas gerais, assim foi demarcado o surgimento da vida e evolução das espécies.

Para que isso acontecesse, havia a necessidade de um “administrador”, de uma organização, de um planejamento divino. Vejamos como tudo foi organizado. A Terra, segundo as pesquisas de Flammarion,  está posicionada na exata distância do Sol, de forma que nós recebemos a quantidade suficiente de calor para a manutenção da vida. Qualquer mudança no ritmo da rotação da Terra tornaria a vida impossível.  Exemplificando: se a Terra girasse a um décimo de sua rotação atual, toda a vida vegetal seria queimada durante o dia, ou seria congelada durante a noite. Notamos, portanto,  que tudo aponta para “um projeto administrativo inteligente da criação divina”, tendo Deus no comando.

Para dirigir nossos caminhos, Deus nos enviou o maior psicólogo e educador de almas, Jesus. Ele, para dar razão e sentido de direção à evolução humana na Terra, presenteou-nos com o seu Evangelho, norma moral de conduta. É por isso que Ele é o governador geral do planeta.

Depois de Jesus, surgiu o Professor  Hippolyte Léon Denizard Rivail  (Allan Kardec), grande pesquisador científico que, atento à administração moral de nossas vidas,  codificou a Doutrina Espírita, no momento oportuno.

Argumentou Kardec:  “Deus povoou os mundos de seres vivos e todos concorrem para o objetivo final da Providência. Acreditar que os seres vivos estejam limitados apenas ao ponto que habitamos o Universo seria por em dúvida a sabedoria de Deus, que nada fez de inútil (...) as condições de existência dos seres vivos nos diferentes mundos devem ser apropriados ao meio em que tem de viver (...)”

Na filosofia espírita, a organização divina fundamentou-se nos cinco itens abaixo:

1)  Existência de Deus. Inteligência cósmica responsável pela criação e manutenção do Universo;

2) Existência do espírito.  Envolvido pelo perispírito e conservando a memória, mesmo após a morte física, assegura a identidade individual de cada pessoa;

3) Lei da reencarnação. Quer dizer, sucessivamente cada criatura vai evoluindo no plano intelectual e moral, enquanto expia os erros do passado.

4) Lei da pluralidade dos mundos. Isto é, das existências de vários mundos habitados, oferecendo um âmbito universal para a educação do espírito.

5) Lei do carma ou da causalidade moral. Pela qual, se interligam as vidas sucessivas do Espírito, dando-lhe destino condizente com seus atos praticados.

Como vimos, tudo tem sua organização. E, assim também, podemos nos referir à Lei de Ação e Reação. Magnífica é a “administração” nos setores da espiritualidade.

Em se tratando das leis divinas, jamais poderemos alegar ignorância, pois em todos os lugares temos possibilidade de tomar consciência delas. Evoluímos sempre, ininterruptamente. Na erraticidade, passamos por estudos e aprendizados. Na encarnação, tentamos colocar em prática o que lá aprendemos, no sentido de dar curso à nossa evolução.

Segundo ensinamentos trazidos pela espiritualidade superior, principalmente através de nosso irmão e médium Chico Xavier. Em “Cidade no Além”, pelos Espíritos André Luiz e Lúcio, psicografado por Heigorina Cunha,  existem várias colônias espirituais, vários ministérios, “em uma linha de administração”, formando os Ministérios da União Divina, da Elevação, da Regeneração, do Auxílio, do Esclarecimento e da Comunicação, entre outros.  Mas nem todas as colônias seguem esse padrão administrativo. Há cidades espirituais muito superiores.   Toda a estrutura está ligada à Governadoria,  que é um “órgão diretivo”.  A supervisão geral das colônias, que circulam em torno da Terra, é atribuída a Jesus e a vários mensageiros espirituais.

O Brasil, por exemplo,  esta sob a tutela de Ismael.  Jesus não é visto pelos Espíritos, mas é descrito como uma luz, sob a forma de força, amor e bondade. Qualquer Espírito errante pode continuar, no Mundo Espiritual, as tarefas e os estudos interrompidos pela desencarnação, desde que assim o queira. Pode se matricular nos cursos de Filosofia, Ciência, Psicologia, Pedagogia, Artes etc. O ensino realiza-se através de métodos didáticos moderníssimos e das mais aperfeiçoadas técnicas. Segundo o Espírito André Luiz, a jornada normal é de 8 horas diárias. Acrescenta que o Governador da colônia Nosso Lar nunca repousa – e quanto mais evoluído, mais trabalha. Nas colônias, um dos mais valiosos instrumentos de reabilitação é o trabalho, que é usado como terapia ocupacional.

Portanto,  vimos como a “administração divina” é importante em nossas vidas, pois em momento algum estamos sozinhos.  Isto nos remete a pensar que precisamos estudar e praticar o desprendimento. Devemos nos preparar para retornar ao Mundo Espiritual, fazendo aqui, o que iríamos fazer lá, ou seja, buscando o trabalho  para nossa evolução moral, intelectual e espiritual. 

Não importa a demora em conquistar algo. Saibamos que  tudo, ao nosso redor, concorre para a perfeição do nosso Espírito.

Muita  paz!  

Bibliografia Consultada

O Colapso da Evolução (The Collapse of Evolution) de Thuse Sott M. – Baker Books, 1997.

Revista Espírita, 1868 – Allan Kardec

Reportagens revista “Espiritismo & Ciência”

São Paulo, janeiro, 2012.

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