Podemos não Comunicar?

Há pessoas, tais como os esquizofrênicos, que tomam a decisão de não se comunicar com ninguém. Elas se deslocam para um espaço vazio, um canto da sala, a varanda, sinalizando que não querem falar com ninguém. Pergunta-se: é possível não comunicar?

A Psicologia informa-nos que o comportamento não tem oposto, ou seja, o não-comportamento não existe. Silêncio, palavras, cara amarrada, atividade, inatividade, fixação e desvio dos olhos, imobilidade, choro, riso, ensimesmamento, meneios da cabeça etc. têm impacto sobre os nossos vizinhos, que podem se aproximar ou se afastar de nós. Queiramos ou não, estamos sempre nos comunicando. Daí, uma comunicação não só transmite informação, mas também impõe um comportamento.

Watzlawick, em Pragmática da Comunicação Humana, compara o ser humano ao computador. assim, em se tratando do computador, há relato e ordem. O computador precisa de informações (dados) e, também, informação sobre a informação (instruções), que se transformam em metainformação, isto é, visão que constitui a informação sobre a informação. Em se tratando do ser humano, precisamos de informações e informações sobre a informação, em que o segundo classifica o primeiro. Aparece, assim, a metacomunicação.

Temos a impressão que não estamos comunicando, mas as pessoas estão captando o nosso estado mental e emocional. Allan Kardec, em Obras Póstumas, fala-nos da fotografia do pensamento, não que possamos fotografar o pensamento, mas que podemos transmitir o teor dele através de nosso semblante, de nossa voz e de nossa postura corporal. O nosso próximo pode perfeitamente captar este estado. É como se o pensamento se deixasse fotografar.

Na qualidade de oradores, devemos estar atentos para as nossas atitudes e comportamentos. O público estará nos medindo, não só durante a nossa peça oratória, mas desde o instante que adentramos o auditório até as despedidas.

São Paulo, maio de 2010

(Org. por Sérgio Biagi Gregório)

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