Teatro do Centro Espírita Ismael
Pequeno Resumo Histórico

A história do teatro no Centro Espírita Ismael está intimamente ligada ao celeiro de produções que aconteciam em sua Moral Cristã. Por meio de seus jovens trabalhadores da JUVESCEI e da Mocidade Carmen Cinira produziram peças ou esquetes teatrais, inicialmente adaptadas de parábolas evangélicas e de autores espíritas, como Leopoldo Machado, e de outros autores identificados com o Espiritismo.

Porém, a inexistência de textos espiritualistas voltados à realidade dos jovens dos anos 80 e 90 estimulou a criação de uma dramaturgia espelhada, inicialmente, em programas humorísticos e jornalísticos da televisão, histórias em quadrinhos, com suas personagens marcantes, e até o cinema serviu de inspiração. Esses textos possuíam em comum a criatividade para relacionar assuntos do cotidiano com as questões basilares da codificação: a reencarnação, a pluralidade das existências, a existência de Deus, seus atributos e as Leis Morais. Num segundo momento, esses textos passaram a demonstrar uma preocupação com a temática familiar e as consequências das leis de ação e reação e do uso desregrado do livre-arbítrio. O humor sempre esteve presente nos temas que exploravam as complexidades das relações humanas, mas o gênero dramático também ganhou o seu espaço nessas produções.

As peças eram apresentadas nas festividades de aniversário do Centro Espírita Ismael e em outros eventos realizados na própria casa. Provavelmente, no início dos anos 70, ocorreu a primeira peça teatral no CEI, encenada por quatro atores renomados (Dionísio Azevedo, Flora Geny, Célia Helena e Tarcísio José), que abrilhantaram a inauguração do salão Carmen Cinira. Alguns anos depois, a Mocidade Carmen Cinira produzia sua primeira peça teatral intitulada “O Bom Samaritano”, de 1977, adaptação de uma parábola de Jesus, com direção do expositor e trabalhador da casa, senhor Mamede Cirino Filho. Antes do início do espetáculo, apresentava-se uma cena inspirada na passagem da vida de Jesus e da Samaritana com poemas declamados pelo senhor Antonio Francisco Rasga, que ficava fora da cena, apenas ouvindo-se a sua voz.  O espetáculo foi apresentado duas vezes no Centro Ismael e também no antigo Clube Guapira, da Av. Luiz Stamatis, no bairro de Jaçanã. Anos mais tarde, algumas peças do figurino dessa produção vestiriam as personagens da espiritualidade na peça “Reconstrução”, de 1986, e posteriormente no espetáculo “O Fantasma de Canterville”, em 1995.

Em 1982, houve uma reestruturação da Mocidade Carmen Cinira e, no ano seguinte, os novos integrantes iniciaram diferentes atividades culturais, com o objetivo de expressar, por meio delas, suas convicções doutrinárias e atrair outros jovens para o estudo do Espiritismo no ambiente da mocidade. A linguagem teatral, novamente, encontrou o seu espaço, e a primeira peça apresentada foi “O diabinho coxo”, de Leopoldo Machado, produzida em 1983.

  No período de 1983 a 1989, várias peças e esquetes foram produzidas e apresentadas no CEI e em outras casas espíritas, com ótima repercussão junto ao público. Dentre elas: “Jornal Infernal”, “O Perseguidor”, “O Avarento”, “Os Caça-Fantasmas”. Destacamos outras três produções, por sintetizarem a qualidade da dramaturgia e produção: “A Praça Ismael”, de Mauro Gomes, com colaboração de Antônio Máximo David, Fábio Vicente e Ximena de Moraes, “Reconstrução”, de Mauro Gomes, e “Parabéns pra você”, de Fábio Vicente e Ximena de Moraes.

 No período de 1990 a 1997, foram realizadas produções para as festividades de aniversário do CEI e outros eventos: “Escolinha JUVESCEI”, “Batman”, “Escolinha Mocidade”, “Fábulas de Esopo”, “A casinha de cristal”, “A reencarnação de Julião Antão”, primeira versão feita pela JUVESCEI, “Jornal Anormal”, “O Mundo Mágico” e “Jesus de Nazaré”. Essas peças igualmente emocionaram e provocaram bons risos no público que compareceu à casa.

 Em 1990, a Mocidade Carmen Cinira cria o grupo GRAFITES, para as atividades do teatro, e, no mesmo ano, obtém a autorização da atriz Flora Geny, pioneira da televisão no Brasil, para produzir seu texto até então inédito: “Quero voltar pra casa”. A peça teve sua estréia em novembro do mesmo ano, no teatro Nelson Rodrigues, na cidade de Guarulhos e, depois, em janeiro de 1991, em São Paulo, no teatro Cacilda Becker. O resultado acolhedor desta peça junto ao público entusiasmou Flora Geny e seu marido, o ator Dionísio Azevedo, para a realização de uma futura produção profissional, fato que ocorreria em 1994, três anos após a desencarnação de Flora Geny.

Em 1993, o grupo de teatro ganha outro nome: Crecin, inspirado na poetisa Carmen Cinira. Este grupo tinha, inicialmente, apenas integrantes da Mocidade Carmen Cinira, e, diante da repercussão e seriedade dos trabalhos já desenvolvidos no passado, atraiu, como novos membros, também outros colaboradores e trabalhadores do CEI. O caminho do amadurecimento e da união de esforços, que teve como berço o grupo de teatro da Mocidade, foi acrescido de estudantes dos cursos de educação mediúnica e de trabalhadores da casa, que resultou num grupo de teatro do Centro Espírita Ismael. Neste ano, estréia a peça “Nossos Destinos”, texto de Aguinaldo Gabarrão, inspirado no livro “Ação e Reação”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, do autor espiritual André Luiz. A novidade deste espetáculo era a utilização da técnica milenar do teatro de sombras. Ocorreram diversas apresentações no Estado de São Paulo e, em novembro de 1993, o grupo de teatro do CEI abriu o V ENTESP – Encontro de Teatro Espírita de São Paulo, que reuniu, durante três dias, 16 grupos teatrais de nove Estados brasileiros. E, no ano de 1994, veio o convite da Prefeitura Municipal de Guarulhos para apresentar o espetáculo na XXIV Temporada de Arte e Cultura. Ainda nesse ano, o grupo de teatro do CEI uniu-se a outros três grupos teatrais espiritualistas e fundaram o “Mês do Teatro Espírita”. Este evento foi realizado regularmente em muitas Casas Espíritas. O público tinha a opção de assistir a um espetáculo diferente a cada final de semana. O grupo de teatro do CEI participou, durante 5 anos, desse evento, chegando a organizar um “Mês do Teatro Espírita” no bairro do Jaçanã, em setembro de 1994.

No ano de 1995, estréia “O Fantasma de Canterville”, de Oscar Wilde, adaptação do grupo Crecin, igualmente apresentado em diversas cidades do interior de São Paulo. Em 1996, o grupo de teatro do CEI é convidado pela Prefeitura de Guarulhos para se apresentar na “XXVI Temporada de Arte e Cultura”.

 

 

 

Em 1997, com um grupo renovado de integrantes, o Crecin produz o espetáculo “A reencarnação de Julião Antão”, de Aguinaldo Gabarrão, adaptação e direção de Ximena de Moraes. São realizadas apresentações no CEI e em teatros de São Paulo e Guarulhos. Esta peça encerra suas apresentações em 1998 e o ciclo do grupo Crecin.

Em paralelo às produções do Crecin, a Mocidade Carmen Cinira e a JUVESCEI não deixaram de marcar presença com vários trabalhos.

Entre 1977 e 1997, o Centro Espírita Ismael produziu vinte e sete espetáculos diferentes, que foram apresentados na própria Sede, em outras Casas Espíritas, teatros de São Paulo e do Interior do Estado, totalizando um público aproximado de 12.000 pessoas.

Registre-se, por fim, que, em 2011, tivemos a apresentação de “Contágio: A Ameaça do Melindre”, por André de Freitas David. Esta peça retrata o esforço do detetive Saulo e seu aprendiz Dux, para eliminar o vírus do Melindre. Esse vírus faz com que amigos se voltem contra amigos e vejam a necessidade de discórdia em qualquer tópico. O terrível vilão D’Merlin infectou Ricardo e seus amigos com o vírus, e agora só o amor poderá resolver o problema. A encenação acompanha os detetives na investigação do caso e nas armadilhas de D’Merlin, que pode se revelar um espírito cheio de mágoas do passado.

Copyright © 2010: Centro Espírita Ismael
Blog Facebook Twitter