Das Trevas à Luz: Jornada Espiritual

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Considerações Iniciais. 4. Simbologia: 4.1. Símbolo; 4.2. Trevas; 4.3. Luz. 5. Jornada Espiritual: 5.1. Fase Pré-histórica e Histórica da Criação; 5.2. Evolução e Corpo Espiritual; 5.3. Jesus Cristo: Modelo para nossa Jornada Terrestre. 6. Ensinamento de Jesus e Mensagens Espíritas: 6.1. O Poder das Trevas; 6.2. Domínio da Sombra; 6.3. Decisão das Trevas. 7. Conclusão. 8. Bibliografia Consultada.

1. introdução

O que são as trevas? E a luz? Como passar das trevas à luz? É tarefa fácil? Como proceder? Quais são as orientações que podemos extrair dos pressupostos espíritas?

2. Conceito

Trevas. Significa escuridão, privação ou ausência de luz. Está associada às coisas negativas, aos abismos, aos lugares inferiores e subterrâneos. Para o Espiritismo, lugares povoados e desertos em que erram obscuros Espíritos lastimosos.

Luz. Em Física, radiação eletromagnética capaz de provocar sensação visual num observador normal. Em sentido figurado, aquilo ou aquele que esclarece, ilumina. Faculdade de percepção, inteligência, esclarecimento, elucidação.

Jornada Espiritual. Viagem, caminhada que se faz para atingir determinados fins.  

3. Considerações Iniciais

Para uma compreensão da evolução da humanidade, convém buscar a sua antropologia, pois esta desvenda toda a trajetória da relação trevas/luz.

Na jornada espiritual, lapida-se o Espírito imortal. Para tanto, convém valer-se do esforço e da perseverança.

Todos os Espíritos partiram de um mesmo ponto: simples e ignorante.

Reflitamos sobre ato e potência: todos os Espíritos foram criados potencialmente perfeitos; contudo, em cada encarnação, somos convidados a atualizar essa perfeição.  

Jesus deve ser o nosso modelo de perfeição.  

4. Simbologia

4.1. Símbolo

Há duas maneiras de representar o mundo. Uma direta, em que objeto se apresenta à nossa frente; outra indireta, quando por qualquer razão o objeto não pode se apresentar em “carne e osso”. A forma indireta representa o símbolo, que pode ser usado indiferentemente como “imagem”, “figura”, “ícone”, “ídolo”, “signo”, “emblema”, “parábola”, “mito” etc.

O símbolo está atrelado ao ocultar e desvendar. Não há nada mais simbólico do que a palavra. Símbolo é meio de acesso às realidades pessoais, misteriosas e inacessíveis a uma observação direta e imediata. Por exemplo: o signo bandeira simboliza os vários graus de heroísmo. 

4.2. Trevas

Em termos simbólicos, podemos ver a “treva” de duas maneiras: 1) oposição à luz; 2) fogo negro que é a “luz primordial”. Como símbolo caótico, pode ser retratada da seguinte forma: no início tudo era como um “mar sem luz”. Onde não há luz, não há vida; por isto, imaginava-se o mundo dos mortos, rodeado de trevas. Na escuridão pode-se revelar a profundidade do mistério.

4.3. Luz

A luz, vista como símbolo, teve várias ocorrências ao longo do tempo. Na Antiguidade, Platão, no seu famoso Mito da Caverna, compara, metaforicamente, a luz ao brilho do Sol. Deus, no livro Gênesis do Velho Testamento, separa a luz das trevas. Jesus, no Novo Testamento, é a luz do mundo. Santo Agostinho, na Idade Média, compara o conhecimento à luz e dedica a Deus a fonte que ilumina a tudo. Descartes associa luz à razão. Locke chama luz de lamparina ao débil conhecimento do ser humano.

5. Jornada Espiritual

5.1. Fase pré-histórica e histórica da criação

O professor José Herculano Pires, em O Espírito e o Tempo, traça-nos um roteiro da criação. Na fase pré-histórica e histórica, analisa os vários horizontes que a mente alcançava na época, segundo as diversas fases do mediunismo, ou seja, o animismo, o culto dos ancestrais, o mediunismo oracular e o mediunismo bíblico até alcançar a mediunidade positiva. A mediunidade positiva é quando entra em cena Allan Kardec. 

5.2. Evolução e Corpo Espiritual

O Espírito André Luiz, em Evolução em Dois Mundos, descortina-nos as várias etapas da evolução do princípio inteligente desde as fases mais rudimentares até o aparecimento de pensamento contínuo, da razão e do senso moral. No capítulo IV “Automatismo e Corpo Espiritual”, ele lembra a importância do automatismo e da herança dizendo que “ao longo da atração no mineral, da sensação no vegetal e do instinto no animal, vemos a crisálida de consciência construindo as suas faculdades de organização, sensibilidade e inteligência, transformando, gradativamente, toda a atividade nervosa em vida psíquica”.

5.3. Jesus Cristo: modelo para nossa Jornada Terrestre

Jesus Cristo trouxe-nos a Boa Nova, o Evangelho, a Luz da espiritualidade superior. Escolheu os seus discípulos, alertando-os que seriam o sal da terra, a luz do mundo. Posteriormente, em suas instruções, disse-lhes para procurar as ovelhas perdidas da casa de Israel, curar os enfermos, ressuscitar os mortos, purificar os leprosos, repelir os demônios; lembrou-lhes de serem prudentes como as serpentes e simples como as pombas; estimulou-lhes a nada temer, pois nada há encoberto, que não venha a ser revelado; nem oculto, que não venha a ser reconhecido; advertiu-os que não veio trazer paz à terra, mas espada; por fim, recomendou-lhes dar de beber aos pequeninos, pois o reino dos céus a estes se assemelha.

6. ENSINAMENTO DE jESUS E mensagem espírita

6.1. O poder das trevas

Os ensinamentos de Jesus Cristo e dos seus discípulos eram simples e objetivos: enaltecer a vida espiritual. Com o tempo, o poder das trevas amplia as suas asas de águia e deturpa a essência destes conhecimentos. Assistimos ao advento de diversas guerras, denominadas santas, as perseguições de todos os matizes, a inquisição etc. No âmbito da ortodoxia, criaram-se os dogmas, os rituais, o comércio das indulgências e a confissão auricular, de modo que o Cristianismo do Cristo foi quase que totalmente desfigurado, restando apenas o que o Padre Alta denomina de Cristianismo dos vigários.

6.2. Domínio da sombra

O Espírito Irmão X, no capítulo 40 "Nos Domínios da Sombra", do livro Contos e Apólogos, informa-nos a respeito de uma assembleia no reino das sombras, composta pelo poderoso soberano das trevas e milhares de falangistas da miséria e da ignorância. Depois de longa discussão, concluem que a melhor maneira de propagar as sombras é influenciar os médiuns, no sentido de que estes deixem sempre para amanhã a reforma da consciência.

6.3. Decisão das trevas

Num outro livro, Contos Desta e Doutra Vida, O Espírito Irmão X, no capítulo 38 "Decisão das Trevas", discorre sobre a organização de obsessões. Há um debate entre o organizador de obsessões e os tipos de obsessões sugeridas aos terráqueos. No final, um vampirizador experiente diz: “Será fácil treinar alguns milhares de companheiros para a hipnose em larga escala e faremos que os espíritas se acreditem santos de carne e osso”.

7. Conclusão

Devemos temer o Poder das Trevas? Não. Tenhamos em mente que a luz sempre chega e triunfa porque a treva é ausência dela, não tendo, portanto, nenhuma significação real.

8. Bibliografia Consultada

PIRES, J. H. O Espírito e o Tempo - Introdução Antropológica do Espiritismo. 3. Ed. São Paulo: Edicel, 1979.

XAVIER, F. C. Contos e Apólogos, pelo Espírito Irmão X. 3. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1974.

XAVIER, F. C. Contos Desta e Doutra Vida, pelo Espírito Irmão X. 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1978.

XAVIER, F. C. e VIEIRA, W. Evolução em Dois Mundos, pelo Espírito André Luiz, 4. ed. Rio de Janeiro: FEB, 1977.

São Paulo, janeiro de 2018.

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