Bíblia

Sérgio Biagi Gregório

SUMÁRIO: 1. Introdução. 2. Conceito. 3. Antigo Testamento: 3.1. A lei; 3.2. Deus Único; 3.3. Os Profetas; 3.4. O Messianismo. 4. Novo testamento: 4.1. Os Quatro Evangelhos; 4.2 O Quinto Evangelho. 6. Conclusão. 7. Bibliografia Consultada.

1. INTRODUÇÃO

O objetivo deste estudo é analisar os escritos do Antigo e do Novo Testamento, a fim de que possamos apreender os principais aspectos desses grandes ensinamentos, disseminados ao longo de centenas de anos.

2. CONCEITO

O termo Bíblia provém do plural grego ta biblia (os livros), que, pelo menos a partir do século XII, é usada para significar o conjunto dos vários escritos do Antigo e do Novo Testamento. O uso de um singular para designar vários livros sagrados tem uma explicação teológica. Não obstante a diversidade dos autores humanos, estes livros constituem uma unidade, um livro, ou o livro por excelência, cujo autor principal é Deus (Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado).

A palavra Testamento tem, na Bíblia, o significado de pacto, de aliança. A figura jurídica do Testamento era desconhecida dos antigos hebreus. A herança entre eles, estava regulada pelo costume e, posteriormente, pela lei (Núm., 27, 8-11), não havendo a hipótese de herdeiros designados pelo testador. Mas nos tempos helenísticos, os rabinos introduziram a instituição jurídica dos gregos relativa ao Testamento e o termo diatheke que a designava. A Vulgata, ao traduzir a Bíblia para o latim, em vez de traduzir diatheke por foedus usou o termo testamento, que é uma das acepções de diatheke, mas não corresponde ao vocábulo original berit (Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura).

Antigo Testamento - conjunto dos livros dos judeus, ou história dos judeus até Jesus Cristo. Divide-se em três partes: 1.ª) Thora, ou Lei (compreendendo o Gênesis, o Êxodo, o Levítico, os Números e o Deuteronômio); 2.ª) Nebium, ou Profetas (compreendendo Josué, Juízes, Samuel, Reis etc.); 3.ª) Ketubrim, ou hagiógrafos (compreendendo os salmos e os livros históricos).

Novo Testamento - conjunto de livros dos cristãos, ou história de Jesus Cristo.

Cânon - conjunto dos escritos que a Igreja católica tem por divinamente inspirados.

3. ANTIGO TESTAMENTO

A Bíblia, segundo os judeus e cristãos em geral, é tida como o repositório da palavra de Deus, ditada ou inspirada por Ele. "O Concílio de Trento, em 1546, proibiu por em dúvida a inspiração divina da Bíblia, inclusive o Antigo Testamento (Challaye, 1981, p. 142).

No estudo da História, entendida como Ciência, desenvolveu-se, como método científico próprio, o que se denomina de crítica histórica. Esta, ao analisar o conteúdo bíblico, conclui que nele há a contribuição de várias escolas, acréscimos posteriores e autorias diferentes daquelas a quem são atribuídas as passagens escritas. E que, portanto, a Bíblia, como tantos outros textos religiosos, é obra humana.

O Espiritismo entende que ela é constituída de Revelações Mediúnicas, entretecidas de narrativas, interpretações e inferências humanas, revelações estas que lhe estruturam os fundamentos religiosos e morais de forma progressiva (Curti, 1981, p. 21).

3.1. A LEI

Moisés, salvo da matança pela filha do Faraó e educado na corte, após ter matado um egípcio que maltratava um judeu, refugiou-se no deserto, onde lhe apareceu Deus numa sarça ardente, incumbindo-o da missão de tirar seu povo do Egito e estabelecê-lo na "terra prometida" no país de Canaã.

Conta-se que, antes da fuga, o Anjo da Morte passa por sobre as casas dos israelitas, ferindo de morte os primogênitos dos egípcios. Pragas, passagem pelo Mar Vermelho, a submersão de carros e soldados egípcios, que perseguiam os fugitivos, sucedem-se até a chegada deles no Sinai

No monte, Moisés recebe de Deus a Lei — o Decálogo — "base de todo direito no mundo, sustentáculo de todos os códigos da justiça terrestre"

Moisés unifica as tribos num povo, fá-las adotar Iavé como seu Deus, constituindo uma religião nacional, na qual o povo se une à divindade num pacto de Aliança, que constitui uma unidade étnico-religiosa, uma nação-religião (Curti, 1981, p. 24).

3.2. DEUS ÚNICO

A crença no Deus único constituiu-se uma monolatria, no sentido de que os israelitas até o século VII e VI a. C. admitiam outros deuses nacionais, além de Iavé. Este era o seu deus nacional. Pouco a pouco, entendem-no de forma animista e antropomórfica, com corpo espiritual comparado ao homem e com análogo sentimentos

A fé no Deus único conduziu este povo a condenar práticas mágicas e o culto aos mortos. O próprio Moisés, no Deuteronômio, recomenda não se interrogar os mortos.

"Enquanto a civilização egípcia e os iniciados hindus criavam o politeísmo para satisfazer os imperativos da época, contemporizando com a versatilidade das multidões, o povo de Israel acreditava somente na existência de Deus Todo-Poderoso, por amor do qual aprendia a sofrer todas as injúrias e a tolerar todos os martírios"... "Todas as raças da Terra devem aos judeus esse benefício sagrado, que consiste na revelação do Deus Único, Pai de todas as criaturas e Providência de todos os seres (Xavier, 1972, p. 68 e 69).

3.3. OS PROFETAS

Moisés não penetra nas terras de Canaã; morre antes, o que, aliás, lhe teria sido dito antes por Iavé. Em 1200 a. C. seu grupo o faz, guiado por Josué e, na nova terra, sob a liderança dos juízes, chefes militares, conselheiros e magistrados, induz outras tribos a aceitarem o Iaveísmo. Este, entretanto, se defronta com a Religião Cananéia, com as crenças dos habitantes da região, que provoca um sincretismo pelo qual lhe adotam o sistema ritual, os sítios sagrados, os santuários, a organização sacerdotal, assimilando-lhe a religião e cultura.

A função dos profetas é insurgir-se contra esse sincretismo.

Elias, Amós, Oséias, Isaías etc. são esses profetas (Curti, 1981, p. 28 e 29).

3.4. O MESSIANISMO

A idéia de um messias geralmente atribuída ao Judaísmo, é historicamente anterior e encontra-se em outras crenças, entre vários povos. Ela é explicada, porém, com base na concepção de um passado remoto em que os homens teriam vivido situação melhor e que voltaria a existir pela mediação entre os homens e a divindade, de um Salvador.

Emmanuel entretanto explica que os Capelinos, ao serem recebidos por Jesus, teriam guardado as reminiscências de seu planeta de origem e das promessas do Cristo, que as fortalecera ao longo do tempo, "enviando-lhe periodicamente os seus missionários e mensageiros.

Os enviados do infinito falaram na china milenar, no Egito na Pérsia etc.

Entre os judeus a idéia do Messias Salvador surge entre os séculos IV e III a. C. pela literatura profética. É o ungido, o enviado de Iavé com a missão de instaurar o reino de Deus no mundo (Curti, 1981, p. 35).

4. NOVO TESTAMENTO

Deus, no Velho Testamento, havia comunicado os seus anúncios de alegria aos patriarcas, a Moisés e aos profetas do seu povo; no Novo Testamento, dá o maior dos "anúncios", o anúncio de Jesus. Jesus não é só conteúdo do anúncio, mas é também o primeiro portador e arauto. Ele apresenta a si mesmo e a sua obra como o "Evangelho de Deus", isto é, a "boa-nova" que Deus envia ao mundo que espera (Battaglia, 1984, p. 21 e 22).

O Novo Testamento é composto de 4 Evangelhos, os Atos dos Apóstolos, as Epístolas e o Apocalipse de João.

4.1. OS QUATRO EVANGELHOS

Os Evangelhos começaram a ser redigidos somente cerca de quarenta anos ou cinqüenta depois dos eventos por ele narrados, embora já houvesse, além da tradição oral, textos escritos de que os Evangelistas se valeram. O Evangelho Segundo Mateus, o Evangelho Segundo Marcos e o Evangelho Segundo Lucas são classificados como Evangelhos Sinóticos, pois há muita concordância em seus escritos. O Evangelho Segundo João difere dos três anteriores pelo seu estilo, sua estrutura e seus objetivos. É mais uma interpretação teológica da vida e obra de Cristo do que uma biografia. O estilo rude do autor desenvolve um enredo progressivo e dramático dos acontecimentos. O autor utilizou-se das mesmas fontes dos sinóticos, mas desenvolveu de maneira toda própria certos acontecimentos e destacou outros em função do seu objetivo maior: anunciar a divindade e a supremacia de Jesus (Enciclopédia Miraror Internacional).

4.2 O QUINTO EVANGELHO

Os Atos dos Apóstolos e as Cartas Apostólicas dispostos cronologicamente formariam um quinto evangelho. O Nascimento de Jesus, por exemplo, poderia ser encontrado em Gl 4,4; Rm 1,4; At 3, 18-24; At 1,14. Sua atividade missionária em At 10,36; At 2,22; At 1,13; At 1, 21-22; 2 Pd 1, 16-18; 1 Jo 1, 1-3. Este mesmo exercício poderia ser feito com relação às condições de sua vida, o início da vida pública, a última ceia, a traição de Judas etc. (Battaglia, 1984, p. 32 a 36).

5. CONCLUSÃO

A leitura do Antigo e do Novo Testamento deve ser feita, não em função da letra, mas do Espírito, a fim de que possamos captar toda a simbologia que está por trás das palavras.

6. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA

BATTAGLIA, 0. Introdução aos Evangelhos — Um Estudo Histórico-crítico. Rio de Janeiro, Vozes, 1984.

CHALLAYE, F. As Grandes Religiões. São Paulo, IBRASA, 1981.

CURTI, R. Monoteísmo e Jesus. São Paulo, FEESP, 1980.

Enciclopédia Luso-Brasileira de Cultura. Lisboa, Verbo, s. d. p.

Enciclopédia Mirador Internacional. São Paulo, Encyclopaedia Britannica, 1987.

Polis - Enciclopédia Verbo da Sociedade e do Estado.

XAVIER, F. C. A Caminho da Luz - História da Civilização à Luz do Espiritismo, pelo Espírito Emmanuel. Rio de Janeiro, FEB, 1972.

São Paulo, abril de 2000

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